Diferenças que fazem a diferença

Durante essa semana participei de situações comuns tanto no aqui quanto no Brasil, mas com pequenas diferenças que as fizeram ser melhores ou piores do que eu esperava (isso sempre baseado no meu conhecimento de mundo, limitado principalmente ao Brasil).

No Domingo tive o prazer de assistir Django Unchained, mais uma obra de arte de Quentin Tarantino. Aqui o valor das guloseimas que acompanham o filme é bem semelhante ao do Brasil, em geral custam mais que o próprio filme. Este somente com áudio original, nada de legendas em francês, ótima oportunidade para treinar o inglês. Para quem ainda não assistiu, está esperando o quê? O filme é chocante, sensacional e mostra sem nenhum pudor como foi a construção dos Estados Unidos que conhecemos. Além disso as atuações dos atores são formidáveis, principalmente Christoph Waltz, que está se tornando um dos meus atores favoritos pelas atuações em filmes do Tarantino.

Pulando a Segunda, que era dia de estudar, a Terça reservava um grande evento: NHL! Montreal Canadians contra Florida Phanters. Aqui as diferenças começam no valor, enquanto no Brasil é comum pagar R$ 20,00 pra ver o Corinthians no Pacaembu (Tobogã), aqui o ingresso mais barato era CA 80,00. Mas o espetáculo é sensacional, e começa nos corredores do estádio. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, pessoas vendendo produtos do time, cerveja, comida e até bandas se apresentando. Depois de encontrar os lugares e aguardar alguns minutos começou o pré-jogo. Essa é uma diferença realmente significativa comparando com o Brasil. A estrutura é semelhante, os jogadores da casa são apresentados, o time visitante, o hino nacional é cantado (nesse dia foi o hino canadense e o americano) e logo depois todos estão a postos e o jogo começa. Mas aqui é tudo muito maior, a música, o telão e a narração te deixam muito animado para o que está para começar. Talvez seja porque o hockei é realizado num em um local fechado, mas acredito que o futebol ainda tem potencial pra explorar. Nos intervalos também existe grande diferença, principalmente devido a grande interação com a torcida. E o jogo? Ah, ele foi bem legal, apesar de não ter acontecido nenhuma briga em campo. Ponto para o brasileiro quando o assunto é torcer, aqui a galera fica animada quando o time da casa marca, mas brasileiro é quem sabe torcer de verdade e agitar durante todo o jogo.

Jogo de Hockei, NFL, Montreal Canadiens x Florida Phanters

Quarta-feira decidi ir para o Village de neiges, já que tinha ganhado o ingresso na primeira tentativa. Esperando por nós uma sensação térmica de -39° e mais ninguém. Para ter certeza, fomos até o portão e então descobrimos que ele fecha todas as quartas! Fomos espertos o suficiente para ir sem olhar nenhuma informação antes e perder a viagem pela segunda vez! Para não sair de lá totalmente desanimados, decidimos ir para a Biosfera, ou Museu do Meio Ambiente de Montreal. Para nossa sorte ele fica aberto todos os dias, mas já estava finalizando as atividades. Nossa guia falou que poderíamos utilizar as atrações do saguão. Como estávamos lá, acabamos jogando um daqueles jogos de associação de imagens, onde cada uma tem uma descrição e as semelhantes são associadas 2 a 2. O assunto era tecnologias baseadas em pássaros. Aprendemos algumas coisas realmente interessantes e treinamos francês. No final ainda tirei uma foto bastante pertinente pra mim. Na próxima semana não repetirei o erro.

Quinta-feira é dia de balada aqui, a cidade bomba. Decidi sair com um grupo de aproximadamente 20 pessoas da escola. O grupo era realmente grande, então era necessário arranjar um local apropriado para todos. Decidimos ir ao Brutopia, uma cervejaria artesanal de Montreal. Espaço fantástico, atendimento sensacional e ótimas cervejas. Achei a stout da casa melhor que a Guinness e ainda provei coisas diferentes, como uma cerveja com base de framboesa. Não era boa, muito doce, mas valeu a experiência. Quando tiverem a oportunidade de vir a Montreal, vale a visita no Brutopia, e o preço é ótimo.

Na sexta era o último dia de um amigo da Suíça, então decidimos beber alguma coisa em algum lugar próximo da escola. A novidade aqui ficou por conta do whisky Canadense. Provei um chamado Canadian Club que é muito bom, bastante amadeirado. Mas o velho Jack continua sendo o meu preferido.

Estava bastante animado para o Sábado, pois era dia de Igloofest. O primeiro diferencial começou na Sexta quando fui comprar o ingresso. Fui até a loja, comprei e quando estava de volta no metrô percebi que estava sem nada na cabeça, onde normalmente deveria ter uma toca. Como na rua é frio e nos lugares há calefação, é necessário tirar blusas, luvas, tocas, etc para não ferver dentro dos lugares, e depois colocar tudo de novo para sair. Decidi voltar até a loja, mas já contando com meu azar, não esperava que a toca estivesse lá, até porque havia muita gente lá e qualquer um poderia ter pego. Para minha surpresa, quando cheguei ela estava intocada, no mesmo local e do mesmo jeito que havia deixado! Na minha opinião, isso seria bem diferente no Brasil.

O evento também tem diferenças interessantes. A primeira delas é que ele é apoiado pelo governo local, no Brasil a música eletrônica nem é reconhecida como manifestação artística. É realizado no porto antigo, no centro velho de Montreal, com todo apoio do sistema de transporte público e horários condizentes com o funcionamento deles, para que todos possam voltar pra casa sem deixar toda sua conta bancária para o taxista. Já no Brasil você normalmente tem que andar alguns quilômetros para o interior, em locais afastados e sem muita estrutura. A revista para entrar na festa aqui é mero detalhe, a pessoa nem rela direito em você. Fácil para os zé-droguinha de plantão, mas também é fácil para terroristas e serial killers.

A festa tem um visual muito legal, várias esculturas de gelo, um castelo de gelo da Jagermeister e pessoas com muita roupa. Outra diferença legal é que existem brincadeiras pela festa, também patrocinadas por alguma empresa. Enquanto andava conferindo as novidades, um grupo convidou meu grupo para participar de um cabo de guerra. Acabamos ganhando e devido a isso, fomos presenteados com artigos de inverno assinados pela marca que patrocinava aquela brincadeira. Achei muito divertido e fácil de aplicar no Brasil. Por toda a festa você encontrava locais para se aquecer, tambores com fogo ou estruturas de metal que pareciam churrasqueiras (infelizmente sem churrasco). Bares por todo lado, e com valores bem brasileiros, água CA 3.50, vinho quente (bastante útil por aqui também) CA 6.50 e por ai vai. Havia um local somente para apresentação de artistas visuais, um mini-cinema. Você entrava na fila e se tivesse lugar, podia entrar e conferir o trabalho do artista do horário. Os banheiros também eram legais, com pouca fila e bem organizados. Mas nada de extraordinário, são os exatamente iguais aos brasileiros, talvez um pouco mais limpos.

Agora falando de música, primeiro foi para o Igloo Virgin Mobile. Não era realmente um igloo, só tem o formato de um igloo, mas a estrutura é igual a das festas, metal e plástico. O ambiente era ótimo, como se fosse um clube. Por não ter vento, era bem mais quente que no exterior. O foco da noite eram artistas canadenses de Techno, pude acompanhar toda a apresentação de Block & Groj, que animaram bastante todo mundo que estava presente. Aqui o pessoal também gosta de usar fantasias nas festas, o que gerou algumas risadas. Depois disso, minha turma decidiu ir para o palco principal, que em termos de estrutura também não é nada diferente do Brasil. Não era minha praia, pois era hip-hop, mas queria conhecer. Chegando lá nos instalamos em um local que parecia tranquilo e tentamos ficar por lá. Mas algo muito estranho acontecia, muita gente passando, esbarrando e sem nenhuma cerimônia, sem pedir licença ou ou algo da politesse française! Aquilo estava realmente me irritando e não havia lugar bom, em todos os locais que tentávamos isso acontecia. Demos um tempo e tentamos ir novamente para o Igloo Virgin, mas a fila estava enorme. Pelo que ouvi enquanto tentava, a apresentação de Milton Clark estava imperdível. Tentamos uma segunda vez o palco principal, mas acabamos desistindo e fomos embora.

Interior do Igloo Virgin Mobile

Pra mim a festa foi bem legal e diferente, principalmente em termos visuais e de temperatura. Mais tarde, conversando com a homestay mother descubro que o jeito dos canadenses dançarem é esbarrando nos outros. Era por isso que não havia lugar bom no main stage. Jeito estranho de dançar e curtir a festa, mas se eles gostam… No Igloo Virgin tudo era normal, bem parecido com o Brasil e realmente muito melhor.

Minha última observação é que aqui outra coisa que aqui é exatamente igual ao Brasil: rotatórias! Se elas não funcionam bem aqui, imagino isso não é possível em nenhum lugar do mundo.

Primeira semana em Montreal

A intenção desse post é mostrar como foi minha primeira semana em Montreal. É provável que ele seja mais interessante pois terá conteúdo mais cultural.

O primeiro passo era chegar até a escola, na Rue St. Catherine, 1610. Acordar, preparer le petit déjeuner, e ir até o ponto de ônibus. Nenhuma surpresa no parada, pessoas em fila, como no Brasil. Já no embarque as coisas começam a ficar diferentes, somente o motorista e todos o cumprimentam educadamente: Bonjour. Não existe catraca, somente um local onde você insere suas moedas e recebe um cartão para utilizar também no metrô, ou utiliza seu cartão. Os créditos desse cartão funcionam não com quantidades, mas com períodos. Você compra o passe diário, para o final de semana, semanal ou mensal, semelhante ao sistema que Haddad pretende implantar em São Paulo. Achei melhor que o sistema de unidades.

Chegando à estação Lasalle, basta continuar na linha verde até a estação Guy-Concordia, que fica abaixo de um campus da Universidade Concordia. Sair da estação, passar por algumas lojas de Café (é o que mais vi aqui até agora) e entrar no prédio da escola. Uma das coisas mais interessantes aqui é que é um “território” de dois idiomas (teoricamente), francês e inglês. Na verdade toda Montreal parece ser assim, apesar do idioma oficial ser o francês. Os funcionários da escola separam as pessoas pelos idiomas que irão estudar e começam a explicar como tudo funciona. Depois disso, fazemos um teste de nivelamento e descobrimos as turmas em que iremos estudar. No meu caso fiquei na B Elementaire, era o que eu esperava, já que não estudei nem tive contato com francês por 2 anos.

Após o teste, um dos instrutores realiza um passeio pelos arredores da escola, informando coisas que vamos precisar saber – como funciona o transporte, bancos, etc. Ele também é o responsável pelas atividades extraclasse oferecidas pela escola: passeios para conhecer a cidade e interagir com os outros estudantes.

No andar abaixo da escola há uma praça de alimentação com diversas opções da cozinha internacional a nossa disposição. O instrutor do passeio recomendou o Poutine, original de Quebec e uma das únicas receitas canadenses. Como alunos da escola ganhavam um desconto e por ter parecido bom, foi minha escolha. Nada especial, mas gostoso. Durante a semana eu e um suíço estamos fazendo um revezamento de restaurantes, para provar todos os disponíveis, um por dia.

Durante o período da tarde, turma de Vocabulaire et Prononciation. Descubro que metade da turma é de brasileiros, mais russos, suíços, americanos, coreanos, japoneses, alemães e colombianos. Isso é um pouco complicado, pois apesar das regras da escola pedirem para falarmos somente francês ou inglês, você escuta muitos idiomas pelos corredores, e o que mais escuto é o português.

Como a parte dos estudos não interessa a ninguém, vou falar sobre os passeios. O primeiro foi a chamada Vieux-Montreal, ou o centro antigo de Montreal. Uma grande variedade de museus, restaurantes, igrejas, prédios governamentais antigos e novos (normalmente um ao lado do outro), o antigo porto e arquitetura que remete a Europa. Todo o caminho pode ser feito a pé, e para chegar, basta ir até a estação de metrô Champ-de-mars.

A explicação de um fato curioso também se encontra nessa região: o porquê dos endereços da cidade sempre indicarem se são a leste ou oeste. Isso é devido a rua conhecida como la Main, ou Boulevard Saint-Laurant, que divide a cidade (e as culturas).

Toda história dessa região tem muita relação com o conflito entre ingleses e franceses disputando o Canadá, acontecimentos importantes como a declaração de Montreal como cidade, a luta pela independência, entre outros. Essa área preserva muita da parte francesa do Canadá, o que é um orgulho para os cidadãos da província de Quebec. Muitos dos locais da região foram destruídos por guerras ou queimados, mas reconstruídos como os originais e com aspecto de velhos. A imagem abaixo é da Hôtel de Ville (prefeitura) de Montreal, cujo teto é feito do mesmo material da Estátua da Liberdade, ou da moeda de 1 centavo canadense: coppa.

Hôtel de Ville, Montreal, Canadá

Não vou contar toda história do conflito Inglaterra e França pelo Canadá (até porque não lembro), mas quem tiver interesse encontra facilmente nos links que estão no texto.

O segundo passeio foi a Ottawa, a capital do Canadá. São aproximadamente 2 horas de viagem em ótimas estradas. Lá, conheci o Parlamento do governo, que oferece uma visão fantástica em 360° do topo de sua torre, possui uma biblioteca impressionante, que escapou de um incêndio que devastou todo o prédio graças a engenhosidade de alguém que decidiu instalar portas de ferro somente na biblioteca. Também visitamos o Canal de Rideau, a embaixada americana, museus e monumentos. Três coisas que me chamaram atenção foram os monumentos a paz, ou ao fim da guerra, a presença de livros escritos a mão com os nomes dos soldados que morreram pelo país em diversas guerras, em local de destaque no parlamento e o regime de governo, chamado monarquia constitucionalista, que me pareceu complicado pois a rainha tem influência mas está na Inglaterra.

Na última parte do passeio, uma parada numa espécie de mercado municipal e após isso algumas horas para descobrir a cidade. Durante esse período vi um local com a placa Zaphod Beeblebrox. Quem leu o Guia do Mochileiro das Galáxias reconhece facilmente o nome do presidente da galáxia. Fiquei curioso e fui logo ver o que era, mas estava fechado uma pena. Através do site descobri que é um clube noturno e que sim, ele tem no menu a Dinamite Pangalatica. Estrou na minha to-do list.

Também aproveitei para conhecer o Hard Rock Cafe de Ottawa, onde almocei com um russo e um suíço. Logo depois fechamos o dia com a cerveja St. Ambroise Pale Ale, uma a menos na minha lista de 1000.

A imagem que ilustra essa postagem é de dentro da biblioteca do parlamento, com uma estátua da Rainha Victoria, que escolheu Ottawa como capital do Canadá.

Além das pessoas que estou conhecendo através da escola, tenho certeza que fiz pelo menos mais dois amigos na casa em que estou hospedado. Pela foto vocês podem me dizer se estou certo.

chichu_et_titi

Se tudo der certo, no próximo Domingo veremos o que a semana que começa está guardando. Até lá!

L’arrivée à montreal

Para começar é bom dizer que sai do Brasil com a intenção de fazer posts diários sobre a viagem ao Canadá. Ao chegar aqui concluí que seria melhor realizar um resumo semanal, para contar só o que considero informação interessante. Mas esse post será um pouco diferente, ele conta somente o primeiro final de semana, pois são muitas coisas novas e falar sobre tudo resultaria em muito conteúdo para ler.

No aeroporto de Guarulhos tudo correu bem. Agradeço a ajuda dos amigos que me acompanharam – Carlos, Renata e Gláuber. Durante o embarque o contato com o mundo exterior já começa, pois as informações são em inglês (não aquele dos comissários brasileiros) e português. O voo foi tranquilo, com um ótimo serviço de bordo e conteúdo multimedia da United. Não conheço voos internacionais de outras empresas, mas recomendo a empresa pela boa experiência que tive.

Primeira parada, aeroporto de Newark. Pousei escutando uma bossa nova reinterpretada por uma gringa, com uma base de jazz. O aeroporto impressiona pelo tamanho e estrutura. Para quem não conhece, ele possui um trem para transferência entre os terminais, já dá para imaginar a dimensão dele.

Para quem acha as revistas nos aeroportos nacionais muito rigorosa, ou chata, não sabe o que é revista. Nos EUA o nível de segurança é muito maior, e a o raio-x é praticamente um check-up médico. Tudo pela segurança (e todo mundo cooperando sem reclamar).

Após encontrar o terminal e o portão de embarque, já totalmente imerso em território estrangeiro, atenção total para a chamada de embarque, dessa vez somente em inglês. Próxima surpresa: voo em um Embraer. Começando o voo, olhando a paisagem penso: o que isso branco pelo chão? Me lembro que estou no hemisfério norte e que é provável que seja neve. Meu primeiro contato com ela. Enquanto dividia minha atenção entre a paisagem e a revista de bordo da United, vejo uma reportagem falando sobre o Rio de Janeiro e uma propaganda da churrascaria Fogo de Chão.

Tudo ok durante o pouso, hora de passar pela alfândega canadense, muito mais tranquila e organizada que a americana. Ops, estou em Montreal e comecei a ser atendido em francês. Como estou aqui justamente para melhorar esse ponto, foi melhor ser atendido em inglês. Para os brasileiros, ai está um bom motivo para aprender o que for possível durante 2013, pois em 2014 e 2016 poucos gringos vão querer aprender português. Como não pedi transfer entre o aeroporto e a casa da família, decidi utilizar um taxi. Durante a conversa com o motorista, ao descobrir que sou brasileiro ele se revela português. Durante a viagem, conversamos em português.

Chegando ao meu destino, Ile de Soeurs, estava curioso para conhecer a família Sabourin, da qual farei parte durante janeiro. Antoine, o filho me recebeu com uma saudação em português, para minha surpresa mais uma vez! Mas para minha sorte, tanto ele quanto a mãe, Daniele, são interessados no Brasil mas não falam nosso querido idioma. Mais uma vez a barreira linguística bateu a porta e decidimos que enquanto não iniciasse o curso, conversaríamos em inglês. Depois disso, me apresentaram as regras da casa, meu quarto e me deram as chaves. A única coisa que eu não teria naquele momento era acesso ilimitado a Internet, teria que conversar com a escola para isso. Não sabia muito bem o porque disso naquele instante, mas fiquei feliz pois pude enviar um e-mail para minha mãe avisando que estava tudo bem comigo.

Como estava totalmente despreparado para o frio de -10° C que me esperava fora da casa, me ofereceram uma blusa, luvas e um gorro. E para testar se eram boas, fomos até o mercado para testar se iriam servir. Achei interessante que as embalagens dos produtos contém somente grandes quantidades, semelhantes aos mercados de atacado no Brasil. Outro fator interessante foi que em todos os corredores tinha alguém te oferecendo uma prova de produto, mostrando como preparar, etc. Para carregar as compras para a casa não havia um carrinho de compras, tivemos que fazer várias viagens até a garagem para trazer os produtos. Não sei se é assim em todos os lugares, mas não deveríamos estar no primeiro mundo?

No domingo era hora de fazer um passeio pela vizinhança. Fui conhecer um parque onde as pessoas estavam escorregando na neve, sentadas em pranchas feitas pra isso (ou não). Daniele pediu para uma das pessoas emprestar a dela para que eu pudesse experimentar. Foi divertido, e um pouco congelante devido ao vento. Voltando para devolver o brinquedo, tive a sensação de escutar palavras em português, esperei mais um pouco para ter certeza e então fui verificar. Realmente era uma brasileira de Curitiba, que está morando aqui há 3 anos. Conversamos um pouco, ela me ofereceu ajuda e disse que poderia procurá-la sempre que fosse preciso. Durante o restante do dia assisti TV sem entender quase nenhuma palavra do que estavam falando. Maldito francês!

Na segunda-feira o curso iria começar, e seria hora de conhecer o sistema de transporte público, a escola e as pessoas que vão estudar comigo.

Minha primeira impressão? O Brasil realmente está em todo lugar e em evidência no mundo. Em todo lugar que passei encontrei algo ou alguém que remete ao país. Para mim foi bastante inesperado, mas gratificante.

A imagem que ilustra essa postagem é uma foto da minha vizinhança. Essa é a visão da janela do quarto em que estou hospedado, e o local onde estou é exatamente como esse.